Para satisfação da curiosidade do meu amigo Miguel Bettencourt, aqui vão as fos da mina Mirny. Reais.

A mina de diamantes de Mirny possui 525 metros de profundidade e 1200 metros de diâmetro. Foi a primeira e uma das maiores minas de diamante na União Soviética, localizada na Sibéria Oriental. Atualmente está abandonada.

desprezível…

Quando na política, tal como na vida, faltam os valores, os princípios e a vergonha, tudo vale e o mais desprezível que uma sociedade tem vem à tona.

À cerca de uma semana, os deputados da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores foram convidados a escreverem artigos de opinião para o blogue InConcreto.

Dias depois, o mesmo blogue, a propósito da publicação de quatro artigos de opinião no Diário Insular por outros tantos deputados do PSD, e também convidados, Tibério Dinis escreve:

“As eleições estão a chegar e a corrida começou. Corrida a lugares de deputados, tachos, frigideiras e panelas.”

Por falar nestes apetrechos culinários, a nomeação que abaixo se apresenta corresponde a cerca de 2000 euros mensais. A avaliar pelo currículo do indigitado e para aquilo que faz na Câmara da Praia, isto não é um tacho, isto é uma panela de pressão.

hoje inicia funções… o sogro

Numa Região livre e democrática a nomeação do sogro de um candidato a presidente do Governo daria primeira página em todos os jornais e seria abertura de noticiários na televisão e nas rádios. Nos Açores, todavia, isso não pode acontecer, apesar dos nossos profissionais de Comunicação Social o tentarem.

Hoje inicia funções. Felicidades no desempenho do cargo é o desejo de todos nós, habitantes deste arKipélago…

 

é o fim…

Bastaram sete anos – só sete anos – para que a Câmara Municipal da Praia da Vitória passasse de uma dívida de oito milhões de euros para uma dívida de 26 milhões. Não é gralha. São mesmo vinte e seis milhões de euros que a câmara gerida por Roberto Monteiro deve à banca.

E que fique claro que nada disto tem que ver com a Troika, com a crise nacional ou internacional, nem mesmo com o “saudoso” Sócrates. Esta dívida astronómica para um concelho com cerca de vinte mil habitantes deve-se única e exclusivamente à irresponsabilidade e à falta de coragem para se assumirem responsabilidades por parte de Roberto Monteiro e do Partido Socialista.

Quem não se recorda da destruição das placas de inauguração de obras do executivo anterior para passarem a ter o nome do novo líder? Quem não se lembra do esbanjamento em fogo de artifício a quando da inauguração da avenida marginal que ainda nem sequer está paga – fogo no encerramento das festas e passados dois dias fogo na inauguração – numa atitude de novo riquismo sem precedentes na história cidade da Praia da Vitória? E quem não vê a quantidade de gente que vive à custa deste poder socialista? Quatro vereadores a tempo inteiro, um adjunto, um chefe de gabinete, uma secretária para cada vereador, um gabinete de comunicação, irmãos, primos e primas, sobrinhos e sobrinhas… E isto para ser meiguinho nas contas e não falar das Empresas Municipais, do Auditório do Ramo Grande ou da Academia da Juventude, da forma como se nomeiam chefias e administradores e os cargos por eles ocupados na hierarquia socialista. Um exagero, um esbanjamento de dinheiro, uma máquina de clientelas e favores.

Enquanto isso, a cidade está morta. Não se vê vivalma nas ruas da Praia. Gastaram-se rios de dinheiro em encerramentos de ruas que mais não fizeram do que prejudicar o comércio tradicional praiense em benefício daqueles que oferecem estacionamento à porta.

Fazem-se ajustes diretos para aquisição de materiais de construção aos amigos e a responsáveis políticos eleitos em listas do Partido Socialista, distribuem-se cabazes de Natal a quem não precisa, usando o dinheiro dos contribuintes, e interrompem-se bailinhos de Carnaval sem que os responsáveis tivessem sido devidamente punidos. O crime compensou. Boicotaram, censuraram, abusaram do poder que tinham e continuam a ser os responsáveis pelo sector de ação social do Município, sem o mínimo de vergonha. Terão lata para aparecem em cima de um palco neste Carnaval? Na câmara da Praia parece valer tudo e a mediocridade é premiada. A mediocridade e o lamber de botas… até vender a alma.

O concelho da Praia da Vitória bateu no fundo e Roberto Monteiro já perdeu o controlo sobre a situação… Que fácil era governar quando as fontes de dinheiro pareciam inesgotáveis. Como vai ser fácil sair e deixar as dívidas por pagar durante os próximos 30 anos…

BM na Madeira

Berto Messias, num daqueles raros momentos em que não está a pensar em Berta Cabral, foi à Madeira.

Ao que tudo indica, o alto quadro do Partido Socialista dos Açores, foi encontrar-se com os seus camaradas madeirenses na tentativa de perceber como é que foi possível esconder o buraco durante tantos anos enquanto que nos Açores a careca já foi descoberta.

Com efeito, os Açores já devem 3,3 mil milhões de euros que terão de ser pagos nos próximos 30 anos pelas próximas gerações de açorianos.

Significa isto que, nos Açores, quando uma criança nasce a única certeza que tem é que já tem à sua espera uma fatura para pagar assinada por Carlos César e pelo Partido Socialista.

Enquanto isto, os distribuidores de medicamentos esperam desesperados, as empresas de construção civil vão fechando as portas, centenas de açorianos vão para o desemprego, Berto Messias passeia até à Madeira e Luísa César esbanja os dinheiros públicos na redecoração de palácios e arranjos de jardins…

uma oportunidade de otimismo

Em tempos de crise, quando tudo parece negro e o futuro parece não existir, é urgente que se pensem alternativas para o crescimento e para o desenvolvimento. Sem esquecermos os sectores tradicionais, é imperioso que procuremos outros sectores que façam de nós diferentes, mas competitivos fora do mercado regional.

Não serão muitas as alternativas… dirão alguns. De facto, não serão muitas se nos recusarmos a pensar fora do quadrado e nos colocarmos naquela posição confortável, conformista e cómoda de sermos reis no nosso próprio quintal e termos como ambição – legítima, mas inútil – o ter sempre razões para nos queixarmos e dizer mal.

Esta manhã, no âmbito das minhas funções como deputado, tive a oportunidade de visitar o Centro de Biotecnologia da Universidade dos Açores (CBUAç), na Terra Chã, onde tive a oportunidade de conhecer o trabalho de investigadores, maioritariamente jovens, que fazem da ciência de ponta a sua vida.

É verdade! Faz-se investigação de ponta na ilha Terceira. Faz-se investigação de ponta nos Açores.

No entanto, este não foi o aspeto que mais me chamou a atenção nesta visita. Aquilo que sobressaiu foi a vontade de fazerem mais, de quererem mais, de quererem inovar e de não se resignarem ao facto de viverem num local pequeno ou de trabalharem em instalações sem condições ou terem problemas de financiamento, apesar da classificação de excelente que detêm por parte da Fundação de Ciência e Tecnologia e serem laboratório associado do Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia.

Felizmente, o CBUAç, dirigido pelo Prof. Artur Machado, tem tido a capacidade, ele próprio, de gerar receitas e autofinanciar-se. Mas poderia ter mais para investigar mais e transformar-se em mais um dos polos de desenvolvimento regional que tanta falta fazem à Região. A título exemplificativo, fica o registo de que já foram declinados convites para participarem em projetos internacionais ligados à área da saúde por falta de instalações adequadas.

Infelizmente, os seus maiores competidores (para além das instituições congéneres a nível internacional) são as instituições governamentais açorianas que teimam em não aceitar que a elas deveria caber unicamente o papel de regulador. Teimam em querer fazer aquilo a que chamam investigação, mas que não passa de experimentação. À ciência o que é da ciência.

Infelizmente, a Região não percebeu ou não quer perceber que ciência, inovação e conhecimento são elementos chave num processo de desenvolvimento económico e diferenciado que vise o crescimento humano e social.

Quando perceber, contudo, já poderá ser tarde e todo o conhecimento existente neste centro de investigação e na nossa Universidade poderá já cá não estar e, nessa altura…

…porque perdemos aquela oportunidade quando poderíamos ter sido diferentes?

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o regente II

O Rei ordenara, o Regente não teve outro remédio senão fazer.

A cerimónia seguia os ditames do protocolo do Reino: pompa mais que baste, o exército de assessores e dependentes nomeados pelo Rei (tinham mais era que lá estar), alguns Duques (os que não estavam engripados) e o Povo que nestas ocasiões fica sempre bem.

“Agora é que é!”

Esta era a frase-chave do discurso do Regente na inauguração da requalificada praça em frente ao renovado e lustroso palácio real, agora rebatizada como Praça da Prosperidade e do Futuro. As palmas e os “viva ao Regente!” não se fizeram esperar… da parte dos assessores e dependentes.

O Povo, representado por 14171 pessoas, manteve-se em silêncio na esperança de ouvir algo de novo. No convite, que ostentava o brasão da Rainha, em letras impressas a ouro, era dito que, após a inauguração da praça, haveria uma surpresa que deixaria todo o Reino de boca aberta. De facto…

“Meu nobre e honrado Povo trabalhador! Agora é que é! Sua Majestade, a Rainha, na sua eterna e desprendida humildade e bondade terá a honra de vos receber e anunciar-vos a boa nova.”

O Povo, nesse mesmo instante, rejubilou e deu vivas à Rainha. Finalmente as boas notícias iriam chegar.

As trombetas tocaram e, de par em par, abriram-se os grandes portões que davam acesso ao palácio real. Ao cimo da escada, como se de uma aparição se tratasse, uma figura feminina resplandecia luz e brilho. Era Ela!

Desceu a escadaria e veio misturar-se com os 14171 homens e mulheres que aguardavam uma solução.

“Agora é que é!”

Desta vez, o Povo manteve-se em silêncio, expectante…

“Meu nobre e honrado Povo, o Meu Reino, contrariamente ao que alguns dizem por aí, vive um período de grande crescimento e prosperidade. Não acreditem naqueles que só nos querem mal. Acreditem em Mim. Eu sei o que é melhor para vós. Só quero o vosso bem e tenho como prová-lo.

Ao Meu Povo quero oferecer o melhor que este Reino tem, aquilo que vós precisais: ofereço-vos este jardim, renovado e requalificado. Um investimento de um milhão e cento e cinquenta mil euros, sem recurso ao crédito, numa clara prova de que sei bem qual a vossa necessidade principal.”

“E emprego para nós?! Queremos trabalho!”, reclamava o Povo.

Nesse mesmo instante, as luzes apagam-se e a Rainha desaparece. O espetáculo tinha acabado.

O Povo, confuso, procura pelo Regente. Escondido, sem guião, refugiava-se falando ao telemóvel…

líder?!?

Surpreendentemente, ou talvez não tenha passado de uma confirmação, o líder do Grupo Parlamentar do Partido Socialista que é, em simultâneo, líder da Juventude Socialista, abandona a sala quando se vota uma proposta do PSD no sentido de manter a autonomia das Associações de Estudantes face aos Conselhos Executivos em oposição à proposta socialista que permite a perda de mandato dos dirigentes estudantis por despacho do Presidente do Conselho Executivo, na sequência de procedimento disciplinar.

Não bastasse esta manifesta falta de responsabilidade e de liderança por parte de Berto Messias, este ato revelou uma profunda falta de solidariedade para com o seu companheiro de bancada, Francisco César, que, no momento da votação – sem se ter apercebido da fuga do seu líder – ficou literalmente “à rasca” sem saber o que fazer. Quando toda a bancada – já sem Berto Messias – se levantava votando contra a proposta social democrata, César mantinha-se isolado, sentado (em coerência com o que pensa sobre a matéria), a fim de votar favoravelmente a proposta do PSD. No entanto, o peso do nome falou mais alto e, hesitante, acompanhou os colegas e engoliu, a muito custo, um elefante.

Uma coisa devo reconhecer: a coragem de assumir uma posição e a lealdade para com os seus pares, mesmo nos momentos mais difíceis. Esta é a postura de um verdadeiro líder.

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