
Se há coisa que quem, como eu, está habituado, é a lidar com o medo que as pessoas têm a deixar revelar a sua identidade depois de fazerem alguma denúncia ou relatarem uma situação pessoal.
No início, confesso, isso fazia-me alguma confusão porque sempre achei que, para conseguirmos resolver os nossos problemas e procurarmos mudar a sociedade em que vivemos, é preciso darmos a cara e dar o corpo às balas.
Embora continue a pensar o mesmo, o que é certo é que, com o tempo, fui tendo necessidade de esconder a identidade de muitas pessoas para poder ter informação e desenvolver a minha atividade política da melhor forma.
As pessoas têm medo e estão com medo.
Desde aquele que é ameaçado de ser despedido se abrir a boca até ao jornalista que é pressionado para não fazer determinada notícia, tudo vale.
A verdade é que os departamentos governamentais estão cheios de gente que mais não fazem do escrutinar tudo quando se escreve ou diz sobre os donos. Alimentam caixas de comentários e criam perfis falsos nas redes sociais só para poderem ter acesso a informação e criarem comentários virais com o intuito de branquear uma má notícia ou criar a sensação de que algo é verdadeiro sem sequer existir.
Numa Região como a nossa – e mesmo sem fazer contas – arriscaria dizer que existem mais jornalistas ao serviço do governo do que ao serviço dos órgãos de comunicação social, públicos e privados, regionais.
O expoente máximo desta máquina de propaganda é o GaCS, uma espécie de Pravda à escala açoriana. Esta central de inteligência serve para tudo. Desde anunciar visitas governamentais até dar opinião sobre acontecimentos locais, passando por veículo de intimidação de cidadãos que, livre e legitimamente, denunciam em público as suas dificuldades e as deficiências deste viciado sistema administrativo regional.
Veja-se o que o Pravda fez relativamente à habitante de Rabo de Peixe que teve a ousadia de dizer à Antena 1 que passava fome. O GaCS, por ordem da Secretária Regional que condena a indignação das pessoas que passam fome mas que louva quem atribui bolsas de estudos aos próprios filhos, o GaCS, dizia, expôs publicamente a vida desta cidadã para proteger a incompetência e impreparação de Ana Paula Marques que, esta semana, durante o plenário da ALRA, afirmou que a pobreza nos Açores não aumentou. Só mesmo Ana Paula Marques para acreditar nisto. A senhora vive num mundo de ilusão que Carlos César criou – e que nem ele próprio já acredita – mas que ela continua a pensar que existe mesmo… pobrezinha…
Definitivamente, esta senhora não sabe o que anda a fazer no Governo. Ainda gostava de saber que predicados tem para que, passado tanto tempo, e depois de já ter demonstrado que não tem capacidade para exercer o cargo dando uma triste imagem daquilo que deve ser um governante, Ana Paula Marques se mantenha no cargo.
Este Governo está podre. Até aquilo que as pessoas têm no frigorífico já serve de arma de propaganda.